Porque é que a Igreja insiste em baptizar as crianças pouco tempo depois de elas nascerem? Não será isto um atentado contra a sua liberdade? E se mais tarde não quiserem seguir a religião Católica? Não será muito mais sensato esperar que cresçam e nessa altura escolham livremente a religião que desejam praticar?

São muito comuns, nos dias de hoje, estas perguntas. E não somente as perguntas. Também está a tornar-se comum – infelizmente – atrasar o baptismo com o argumento de que é preciso respeitar a liberdade das crianças. Com essa mesma “lógica”, os pais não deveriam escolher arbitrariamente um nome para os seus filhos – seria mais respeitador da sua liberdade que mais tarde os próprios escolhessem. Também seria contra a liberdade dos filhos obrigá-los a ir à escola, a arrumar o quarto ou, em geral, a portarem-se bem. Quem são os pais para imporem aos seus filhos aquilo que consideram que é o bem ou o mal? Não será que essa atitude pode gerar-lhes traumas na infância que dificultarão o exercício da sua liberdade sem nenhum tipo de limites?

Que tal, neste momento, pormos os pontos nos ii? O problema de fundo não é o baptismo nem a liberdade. O problema de fundo é a falta de fé de alguns pais no que significa para o seu filho ser baptizado. Actualmente, vê-se muitas vezes o baptismo como uma simples festa de apresentação aos familiares e amigos da criança que acaba de nascer. Dá-se mais importância a aspectos exteriores como a escolha “cuidadosa” dos padrinhos – não com a finalidade de que saibam zelar pela fé do afilhado, mas com o “critério” de que sejam pessoas amigas que não se esqueçam de dar presentes nos momentos oportunos.

O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica diz-nos que é precisamente o desejo de que os filhos sejam livres que leva os pais a pedirem o baptismo pouco depois de eles nascerem. Pergunta nº 258: “Porque é que a Igreja baptiza as crianças?”. Resposta: “Porque tendo nascido com o pecado original, elas têm necessidade de ser libertadas do poder do Maligno e de ser transferidas para o reino da liberdade dos filhos de Deus”.

Se uma pessoa possui de verdade a fé católica – ou seja, se acredita naquilo que nos disse Nosso Senhor Jesus Cristo – sabe que todos nascemos com uma doença espiritual que se chama pecado original. Também sabe que essa doença tem cura – uma cura infalível que é o baptismo. Também sabe que essa cura não foi “inventada” pela Igreja, mas foi instituída por Jesus Cristo, que, com a sua morte na Cruz, nos alcançou a libertação do pecado e a gloriosa liberdade de filhos de Deus. Também sabe que o baptismo é necessário para a salvação porque assim o disse, sem papas na língua, o próprio Jesus: “Quem crer e for baptizado será salvo; mas quem não crer, será condenado” (Mc 16, 15).

Resumindo: o problema dos atrasos no baptismo não está tanto no respeito pela liberdade das crianças, mas sim na falta de fé de muitos pais que se “esquecem” da importância que possui este sacramento para a salvação dos seus filhos.
Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Partilha

Share/Bookmark

Errar

O único homem isento de erros, é aquele que não arrisca acertar.

Albert Einstein

Partilha

Share/Bookmark

Hoje, tendo-se tornado uma preocupação central, tanto de cientistas como de teólogos, as questões ambientais parecem estar a gerar uma nova plataforma de entendimento entre indivíduos que, sendo oriundos dos mais diversos universos ideológicos, partilham a mesma visão sobre a relação do homem com a natureza.
Dado o conjunto de valores e causas que defendo no Parlamento Europeu, entre as quais relevam as questões ambientais e da produção eficiente e limpa de energia, às quais sou sensível em boa parte devido à minha formação científica, devo dizer que as posições que a Igreja tem vindo a manifestar a este respeito são para mim uma verdadeira fonte de inspiração. Na sua última carta encíclica, Caritas in veritate, Bento XVI reconhece que "é lícito ao homem exercer um governo responsável sobre a natureza para a guardar, fazer frutificar e cultivar...", mas, ressalva o Sumo Pontífice, o homem não pode deixar de "sentir como gravíssimo o dever de entregar a terra às novas gerações num estado tal que também elas possam dignamente habitá-la e continuar a cultivá-la" (Cap. IV, 50). Parece-me ser um contributo inestimável para a causa ambiental esta elevação da salvaguarda do ambiente ao estatuto de um imperativo moral. O Papa Bento XVI coloca a questão no patamar de um dever que uma geração deve observar para com as próximas gerações. E ao condenar o comportamento do poluidor como um pecado, que exige arrependimento, como o fez no ano passado, acrescenta a esse dever todo o peso da visão religiosa do mundo.
No que respeita à produção de energia, o Papa Bento XVI denuncia a ligação desta questão à pobreza, aos conflitos armados e, em geral, à situação desolada dos países menos desenvolvidos: "O açambarcamento dos recursos energéticos não renováveis... constitui um grave impedimento para o desenvolvimento dos países pobres. A monopolização de recursos naturais... gera exploração e frequentes conflitos entre as nações e dentro das mesmas." Daí o apelo papal à comunidade internacional para "encontrar as vias institucionais para regular a exploração dos recursos não renováveis, com a participação também dos países pobres, de modo a planificar em conjunto o futuro" (Cap. IV, 49).
Recentemente (11 de Janeiro), durante a recepção aos diplomatas das 170 nações representadas no Vaticano, o único Estado do mundo que pode reivindicar ser carbono-neutro, o Papa Bento XVI sublinhou a sua preocupação com o falhanço dos líderes mundiais em alcançarem um acordo global sobre as alterações climáticas, na conferência de Copenhaga, e lançou um apelo, que todos partilhamos, a que se envidem todos os esforços para que seja alcançado um acordo global antes do final do ano (em Cancun).
O testemunho e as mensagens do Sumo Pontífice dão-nos força e ânimo para continuarmos, no nosso dia-a-dia de deputados europeus, com humildade e determinação, a combater por formas novas, menos destrutivas e menos ameaçadoras das gerações vindouras, de nos relacionarmos com a natureza.
Maria da Graça Carvalho
in Público, 2010-04-28
Deputada do PSD ao Parlamento Europeu

Partilha

Share/Bookmark

Passo a rezar

Amigo, existe uma ferramenta, relativamente recente, muito boa de oração e reflexão!
É uma iniciativa do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, uma obra da Companhia de Jesus (jesuítas) que se dedica à promoção da oração pessoal e trata-se de um site do qual podemos fazer download de orações diárias em mp3, acompanhadas de leitura do Evangelho e de cânticos e pontos de reflexão que podemos ouvir em qualquer local: na ida para o trabalho, escola, faculdade, etc...

Com este site o Secretariado pretende «adaptar a proposta da oração pessoal às circunstâncias da vida de todos os dias e à exigência de mobilidade que a caracteriza. A caminho do trabalho ou da faculdade, nos transportes públicos ou no trânsito, rezar não é uma “utopia” nem um “desejo irrealizável”: o www.passo-a-rezar.net oferece-te a possibilidade de fazeres de cada lugar um lugar de encontro com Deus, um ”espaço sagrado”.»

O site é http://www.passo-a-rezar.net/

É uma óptima maneira de começarmos o nosso dia! Experimenta!!

Partilha

Share/Bookmark

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 19 de maio de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos mais de 13 mil peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral.

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, desejo percorrer junto convosco as diversas etapas da viagem apostólica que realizei nestes dias a Portugal, movido especialmente por um sentimento de reconhecimento a Nossa Senhora, que em Fátima transmitiu aos seus videntes e aos peregrinos um intenso amor pelo Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus, que me deu a possibilidade de prestar homenagem a esse povo, à sua longa e gloriosa história de fé e de testemunho cristão. Portanto, como eu vos havia pedido que acompanhásseis esta minha visita pastoral com a oração, agora vos peço que vos unais a mim ao agradecer a Deus pelo seu feliz desenvolvimento e conclusão. A Ele confio os frutos que trouxe e trará à comunidade eclesial portuguesa e a toda a população. Renovo a expressão do meu vivo reconhecimento ao presidente da República, Sr. Anibal Cavaco Silva, e às demais autoridades do Estado, que me acolheram com tanta cortesia e prepararam cada elemento para que tudo pudesse acontecer da melhor maneira possível. Com intenso afeto, recordo os irmãos bispos das dioceses portuguesas, a quem tive a alegria de abraçar em sua terra, e lhes agradeço fraternalmente por tudo o que fizeram pela preparação espiritual e organizativa da minha visita, além do notável empenho dedicado à sua realização. Dirijo um pensamento particular ao patriarca de Lisboa, cardeal José da Cruz Policarpo, ao bispo de Leiria-Fátima, Dom Antonio Augusto dos Santos Marto, do Porto, Dom Manuel Macario do Nascimento Clemente, e aos seus respectivos colaboradores, como também aos diversos organismos da conferência episcopal guiada por Dom Jorge Ortiga.

Ao longo de toda a viagem, realizada por ocasião do décimo aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco, senti-me apoiando espiritualmente por meu amado antecessor, o venerável João Paulo II, que esteve por três vezes em Fátima, agradecendo esta "mão invisível" que o livrou da morte no atentado de 13 de maio, aqui nesta Praça de São Pedro. Na tarde de minha chegada, celebrei a Santa Missa em Lisboa, no encantador cenário do Terreiro do Paço, que se eleva sobre o rio Tejo. Foi uma assembleia litúrgica de festa e de esperança, animada pela alegre participação de numerosos fiéis. Na capital, de onde partiram, no decorrer dos séculos, tantos missionários para levar o Evangelho a muitos continentes, encorajei os diversos integrantes da Igreja local a uma ação evangelizadora vigorosa nos diversos âmbitos da sociedade, para serem semeadores de esperança em um mundo marcado pela desconfiança. Particularmente, exortei os crentes a se tornarem anunciadores da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, centro e fundamento de nossa fé e razão de nossa felicidade. Pude manifestar estes sentimentos, também, durante o encontro com os representantes do mundo da cultura, celebrado no Centro Cultural de Belém. Nesta ocasião, dei ênfase ao patrimônio de valores com os quais o cristianismo enriqueceu a cultura, a arte e a tradição do povo português. Nesta nobre terra, como em todos demais países marcados profundamente pelo cristianismo, é possível construir um futuro de compreensão fraternal e de colaboração com as demais instâncias culturais, abrindo-se reciprocamente para um diálogo sincero e respeitoso.

Dirigi-me, depois, para Fátima, pequena cidade caracterizada por uma atmosfera de misticismo autêntico, na qual se nota de maneira quase palpável a presença de Nossa Senhora. Eu me fiz peregrino com os peregrinos naquele santuário admirável, coração espiritual de Portugal e meta de uma multidão procedente dos lugares mais diversos da Terra. Após ter permanecido recolhido em oração e emocionado na Capelinha das Aparições, em Cova da Iria, apresentando ao Coração da Virgem Santa as alegrias e as esperanças, além dos problemas e os sofrimentos do mundo inteiro, na Igreja da Santíssima Trindade tive a alegria de presidir a celebração das Vésperas da Devota Virgem Maria. Dentro deste templo grande e moderno, manifestei meu vivo apreço aos sacerdotes, aos religiosos, às religiosas, aos diáconos e aos seminaristas vindos de todas as partes de Portugal, agradecendo-lhes por seu testemunho silencioso, nem sempre fácil, e por sua fidelidade ao Evangelho e à Igreja. Neste Ano Sacerdotal que chega ao fim, encorajei os sacerdotes a darem prioridade à escuta da Palavra de Deus, ao conhecimento íntimo de Cristo, à intensa celebração da Eucaristia, tomando o exemplo luminoso do Cura d'Ars. Não deixei de confiar e consagrar ao Imaculado Coração de Maria, verdadeiro modelo de discípula do Senhor, os sacerdotes do mundo inteiro.

À noite, com milhares de pessoas que compareceram à grande esplanada do santuário, participei da sugestiva procissão das velas. Foi uma estupenda manifestação de fé em Deus e de devoção à sua Mãe, expressadas com a oração do Santo Rosário. Esta oração, tão querida pelo povo cristão, encontrou em Fátima um centro propulsor para toda a Igreja e o mundo. A "Branca Senhora", na aparição de 13 de junho, disse aos Pastorinhos: "Quero que rezem o terço diariamente". Poderíamos dizer que Fátima e o Rosário são quase um sinônimo.

Minha visita a este lugar tão especial teve seu auge no Celebração Eucarística de 13 de maio, aniversário da primeira aparição da Virgem a Francisco, Jacinta e Lúcia. Lembrando as palavras do profeta Isaías, convidei aquela imensa assembléia, recolhida aos pés da Virgem, com grande amor e devoção, a alegrar-se plenamente no Senhor, pois o seu amor misericordioso é a nascente da nossa esperança. E é precisamente de esperança que está profundamente impregnada a mensagem - exigente e ao mesmo tempo consoladora - que Nossa Senhora deixou em Fátima. É uma mensagem centrada na oração, na penitência e na conversão, que se projeta para além das ameaças, dos perigos e dos horrores da história , para convidar o homem a ter confiança na ação de Deus, a cultivar a grande esperança, a fazer a experiência da graça do Senhor para se enamorar dele, fonte de amor e de paz.

Nesta perspectiva, foi significativo o apaixonante encontro com as organizações da pastoral social, para as quais indiquei o estilo do bom samaritano para ir ao encontro das necessidades dos irmãos mais necessitados e servir a Cristo, promovendo o bem comum. Muitos jovens aprendem a importância da gratidão justamente em Fátima, que é uma escola de fé e de esperança, porque é, também, escola de caridade e de serviço aos irmãos. Neste contexto de fé e de oração, celebrou-se o importante e fraternal encontro com o episcopado português, como conclusão de minha visita a Fátima: foi um momento de intensa comunhão espiritual, no qual demos juntos graças ao Senhor pela fidelidade da Igreja que está em Portugal e confiamos à Virgem as esperanças e preocupações pastorais comuns. Também mencionei estas esperanças e perspectivas pastorais ao longo da Santa Missa, celebrada na histórica e simbólica cidade do Porto, a "Cidade da Virgem", última etapa de minha peregrinação a esta terra lusitana. À grande multidão de fiéis reunida na Avenida dos Aliados recordei o compromisso de testemunhar o Evangelho em todo lugar, oferecendo ao mundo o Cristo ressuscitado, para que cada situação de dificuldade, de sofrimento, de medo se transforme, por meio do Espírito Santo, em ocasião de crescimento e de vida.

Queridos irmãos e irmãs, a peregrinação a Portugal foi para mim uma experiência comovente e repleta de muitos dons espirituais. Enquanto permanecem fixas em minha mente e em meu coração as imagens desta viagem inesquecível, o acolhimento caloroso e espontâneo, o entusiasmo das pessoas, louvo o Senhor porque Maria, aparecendo aos três pastorinhos, abriu no mundo um espaço privilegiado para encontrar a misericórdia divina que cura e salva. Em Fátima, a Virgem Santa convida todos a considerarem a terra como lugar da nossa peregrinação rumo à pátria definitiva, que é o céu. Na realidade, todos somos peregrinos, temos necessidade da Mãe que nos guia. "Contigo caminhamos na esperança. Sabedoria e Missão" era o lema da minha viagem apostólica a Portugal e, em Fátima, a bem-aventurada Virgem Maria convida-nos a caminhar com grande esperança, deixando-nos guiar pela "sapiência do alto", que se manifestou em Jesus, a sabedoria do amor, para levar ao mundo a luz e a alegria de Cristo. Portanto, eu vos convido a vos unirdes à minha oração, pedindo ao Senhor que abençoe os esforços daqueles que, nessa amada nação, se dedicam ao serviço do Evangelho e à busca do verdadeiro bem do homem, de cada homem. Oremos também para que, por intercessão de Maria Santíssima, o Espírito Santo faça frutificar esta viagem apostólica e encoraje em todo o mundo a missão da Igreja, instituída por Cristo para anunciar a todos os povos o Evangelho da verdade, da paz e do amor.

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

Queridos irmãos e irmãs:
Gostaria de compartilhar convosco um pouco da minha recente viagem apostólica a Portugal, por ocasião do 10º aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco. A visita teve início em Lisboa; durante a Santa Missa, falei da necessidade dos cristãos serem semeadores da esperança. Seguindo para Fátima, peregrino com os peregrinos, lá apresentei ao Imaculado Coração Maria as alegrias e esperanças, os problemas e sofrimentos do mundo inteiro. No do dia 13, aniversário da primeira Aparição de Nossa Senhora, durante a Celebração da Eucaristia lembrei na homilia que as aparições nos falam de uma mensagem exigente e consoladora, centrada na oração, na penitência e na conversão, que nos leva a superar as dificuldades da história, convidando a humanidade a cultivar a grande esperança. E a viagem concluiu-se na histórica cidade do Porto, com a Celebração Eucarística, insistindo no compromisso para a missão. E de lá me despedi de Portugal, manifestando o desejo de que a minha visita se tornasse incentivo para um renovado impulso espiritual e apostólico.

Amados peregrinos vindos do Brasil e demais países de língua portuguesa, que a intercessão de Nossa Senhora de Fátima, que em vossos países é venerada com tanta confiança e firme amor, possa ajudar-vos a viver com mais empenho a vossa vocação de testemunhas do Evangelho da verdade, da paz e do amor. Sirva-vos de conforto a minha bênção.



[Tradução: Cláudio Luis Campos Mendes. ©Libreria Editrice Vaticana]

Partilha

Share/Bookmark

A união de homossexuais e o Presidente da República

O título mais exacto do comentário que se segue seria “A pirueta da triste figura”.

Senti um arrepio, quase vómito, quando acabei de ouvir o Prof. Cavaco Silva. Que vergonha, senti. Por ele, claro. E pelo país. Assim ficou para a história como o padrinho (the best man) dos homossexuais, por incoerência da sua decisão, quando poderia ter passado à História como alguém que sem disfarce piedoso e paternalista segue as suas convicções, independente de votos e oportunismos. Seria bem preferível que, sem mais, tivesse promulgado o tal “casamento”, porque sim, porque assim o achava. Mas vir dizer a todo um país que ele pensou bem e não está de acordo e deu provas disso, que há outros modos e figuras jurídicas para o caso que são seguidas nos países que ninguém se atreve a chamar de atrasados; mais, que só uma minoria na Europa assumiu esta forma e, depois, num salto mortal, conclui ao contrário e promulga! O dito por não dito. Claro, arranjou duas “razões”. Falsas. E uma delas é ofensiva da dignidade e inteligência de um povo: estamos tão em crise e tão miseráveis que não nos podemos distrair com este tipo de debates! Ora, estes temas humanos é que são sérios, até porque a verdadeira crise é de valores. O Senhor Presidente pode ter a certeza de que o povo, “na sua menoridade” o que vai discutir é sobre futebol em África e o campeonato do Mundo. A outra razão também é “enorme”! A Assembleia vai aprovar outra vez e já não será possível vetá-lo. Pois não seria, se não houvesse outras coisas a fazer. Até dissolver a Assembleia seria possível. Aliás ninguém pode garantir em absoluto que uma lei passe (ou não) e que não haja mudanças de opinião, sobretudo quando a maioria não está assim tão garantida! De facto, usar tal argumento e agir assim com tal pirueta é como se alguém dissesse “vou-me suicidar porque é certo que dentro de algum tempo morrerei”.

Eis aqui um exemplo de um mau discernimento, do que é deixar-se levar pelas aparências de bem, do que é não clarificar nem assumir as verdadeiras motivações e arranjar “boas” razões, saídas airosas para proteger as próprias conveniências.

Enfim, não se podem julgar as pessoas, mas as piruetas, sim.

Vasco Pinto de Magalhães s.j.

Partilha

Share/Bookmark

- por José Ribeiro e Castro

O Papa é o Santo Padre, o nosso Santo Pai, nossa referência e luz, ao nosso lado, no caminho como cristãos. Muitas vezes dizem-no Chefe da Igreja. Mas não é chefe como outros, porque a Igreja também não é uma instituição como outras. Ele é mais o farol. É o Pastor. Guia pela palavra, guia pelo risco, guia pelo exemplo, guia pela inspiração, guia pelo conforto, guia pelo amparo – guia porque vai à frente, quando precisamos que nos aponte, e guia também porque vai atrás, quando precisamos que nos empurre. Guia, estando ao nosso lado. Guia, estando connosco. É pastor, é o Pastor. Guia em nome da Verdade e da sua incessante busca, da Verdade que o Homem só verdadeiramente descobre e toca no seu – isto é, no nosso – encontro com Deus.
Nisto, Bento XVI não é diferente de S. Pedro, o primeiro de todos os Papas. Nem é diferente de João Paulo II, que o precedeu. Como não será diferente daquele que lhe suceder. Mas tem sido um Papa particularmente atingido em certos meios e, por vezes, verbalmente vergastado pelos sectores anti-católicos,assumidos ou dissimulados. Nessa convulsão mediática que lhe tem sido dado viver, a crítica mais ardilosa é a de que “não tem o carisma” de João Paulo II. Mas é curioso verificar como aqueles que mais apontam isso a “este” Papa são aqueles que também não seguiam o“outro”…
Bento XVI, além de Papa, é uma grande figura da Igreja contemporânea, um intelectual reconhecido e admirado – e, por isso, também desafiado e atacado. Em pouco tempo, já nos deixou três Encíclicas: sobre o Amor (Deus Caritas Est), sobre a Esperança (Spe salvi) e de novo sobre o Amor e a Verdade (Caritas in veritate). E muitos outros documentos seus deixaram marca. O seu magistério não é só notável, é riquíssimo e brilhante. Um magistério de Evangelho escrito.
Coube-lhe ainda a circunstância de ser a cabeça da Igreja universal diante de um vendaval terrível, desencadeado pelos sucessivos escândalos de pedofilia de alguns sacerdotes em diferentes partes do mundo. A coragem, a verticalidade e a humildade de que tem dado mostras, mesmo quando submetido ao injusto furacão de detractores, dão-nos a todos os católicos a garantia fundamental: a de que o Pastor também não vacila. Nem deixa vacilar. Bento XVI tem sabido ser firme e sereno, preciso e reformador. Um magistério de Evangelho prático.
Nestes dias, Bento XVI veio visitar-nos. Para nos dar a sua presença e, de novo, a sua palavra. A mim, como a muitos católicos portugueses, apetece-me o contrário: apetece-nos estar com ele. Para lhe dar a nossa companhia e, através dela, o nosso sinal de amor e gratidão. Amor e gratidão por ser o nosso Papa, o Papa do nosso tempo. Amor e gratidão por representar tão bem as larguíssimas centenas de milhares de sacerdotese de religiosos que, em todo o mundo, sofrem, em silêncio e serviço quotidiano dos outros, a amargura dos erros de alguns poucos. Amor e gratidão por todos seguirem fiéis, serenos e disponíveis ao recto serviço de Deus, de Jesus Cristo e da Sua Palavra de Salvação. Quanto precisamos deles!

Obrigado, Bento XVI.

Partilha

Share/Bookmark

SANTA MISSA
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Amados Irmãos e Irmãs,

«Está escrito no Livro dos Salmos: […] receba outro o seu cargo. É necessário, portanto, que […] um se torne connosco testemunha da ressurreição» (Act 1, 20-22). Assim falou Pedro, lendo e interpretando a palavra de Deus no meio de seus irmãos, reunidos no Cenáculo depois da Ascensão de Jesus ao Céu. O escolhido foi Matias, que tinha sido testemunha da vida pública de Jesus e do seu triunfo sobre a morte, permanecendo-Lhe fiel até ao fim, não obstante a debandada de muitos. A «desproporção» de forças em campo, que hoje nos espanta, já há dois mil anos admirava os que viam e ouviam a Cristo. Era Ele apenas, das margens do Lago da Galileia às praças de Jerusalém, só ou quase só nos momentos decisivos: Ele em união com o Pai, Ele na força do Espírito. E todavia aconteceu que por fim, pelo mesmo amor que criou o mundo, a novidade do Reino surgiu como pequena semente que germina na terra, como centelha de luz que irrompe nas trevas, como aurora de um dia sem ocaso: É Cristo ressuscitado. E apareceu aos seus amigos, mostrando-lhes a necessidade da cruz para chegar à ressurreição.

Uma testemunha de tudo isto, procurava Pedro naquele dia. Apresentadas duas, o Céu designou «Matias, que foi agregado aos onze Apóstolos» (Act 1, 26). Hoje celebramos a sua memória gloriosa nesta «Cidade Invicta», que se vestiu de festa para acolher o Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus por me trazer até ao vosso meio, encontrandovos à volta do altar. A minha cordial saudação para vós, irmãos e amigos da cidade e diocese do Porto, vindos da província eclesiástica do norte de Portugal e mesmo da vizinha Espanha, e quantos mais estão em comunhão física ou espiritual com esta nossa assembleia litúrgica. Saúdo o Senhor Bispo do Porto, Dom Manuel Clemente, que desejou com grande solicitude a minha visita, me acolheu com grande afecto e se fez intérprete dos vossos sentimentos no início desta Eucaristia. Saúdo seus Predecessores e demais Irmãos no episcopado, os sacerdotes, os consagrados e consagradas, e os fiéis leigos, com um pensamento particular para quantos estão envolvidos na dinamização da Missão Diocesana e, mais concretamente, na preparação desta minha Visita. Sei que a mesma pôde contar com a real colaboração do Presidente da Câmara do Porto e de outras Autoridades públicas, muitas das quais me honram com a sua presença, aproveitando este momento para as saudar e lhes desejar, a elas e a quantos representam e servem, os melhores sucessos a bem de todos.

«É necessário que um se torne connosco testemunha da ressurreição»: dizia Pedro. E o seu Sucessor actual repete a cada um de vós: Meus irmãos e irmãs, é necessário que vos torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. Na realidade, se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar? O cristão é, na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida. Para isso, em cada celebração eucarística, ouviremos mais atentamente a Palavra de Cristo e saborearemos assiduamente o Pão da sua presença. Isto fará de nós testemunhas e, mais ainda, portadores de Jesus ressuscitado no mundo, levando-O para os diversos sectores da sociedade e quantos neles vivem e trabalham, irradiando aquela «vida em abundância» (Jo, 10, 10) que Ele nos ganhou com a sua cruz e ressurreição e que sacia os mais legítimos anseios do coração humano.

Nada impomos, mas sempre propomos, como Pedro nos recomenda numa das suas cartas: «Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder a quem quer que seja sobre a razão da esperança que há em vós» (1 Ped 3, 15). E todos afinal no-la pedem, mesmo quem pareça que não. Por experiência própria e comum, bem sabemos que é por Jesus que todos esperam. De facto, as expectativas mais profundas do mundo e as grandes certezas do Evangelho cruzam-se na irrecusável missão que nos compete, pois «sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja. Perante os enormes problemas do desenvolvimento dos povos, que quase nos levam ao desânimo e à rendição, vem em nosso auxílio a palavra do Senhor Jesus Cristo que nos torna cientes deste dado fundamental: “Sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5), e encoraja: “Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo” (Mt 28, 20)» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 78).

Mas, se esta certeza nos consola e tranquiliza, não nos dispensa de ir ao encontro dos outros. Temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo, que aliás só pode ser missionária, no movimento expansivo do Espírito. Desde as suas origens, o povo cristão advertiu com clareza a importância de comunicar a Boa Nova de Jesus a quantos ainda não a conheciam. Nestes últimos anos, alterou-se o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos. O campo da missão ad gentes apresenta-se hoje notavelmente alargado e não definível apenas segundo considerações geográficas; realmente aguardam por nós não apenas os povos não-cristãos e as terras distantes, mas também os âmbitos sócio-culturais e sobretudo os corações que são os verdadeiros destinatários da actividade missionária do povo de Deus.

Trata-se de um mandato cuja fiel realização «deve seguir o mesmo caminho de Cristo: o caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação própria até à morte, de que Ele saiu vencedor pela sua ressurreição» (Conc. Ecum. Vaticano II, Decr. Ad gentes, 5). Sim! Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra: «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça» (Jo 15, 16). Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto! Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão: a missão recebemo-la sempre de Cristo, que nos deu a conhecer o que ouviu a seu Pai, e somos nela investidos por meio do Espírito na Igreja. Como a própria Igreja, obra de Cristo e do seu Espírito, trata-se de renovar a face da terra a partir de Deus, sempre e só de Deus!

Queridos irmãos e amigos do Porto, levantai os olhos para Aquela que escolhestes como padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. O Anjo da anunciação saudou Maria como «cheia de graça», significando com esta expressão que o seu coração e a sua vida estavam totalmente abertos a Deus e, por isso, completamente invadidos pela sua graça. Que Ela vos ajude a fazer de vós mesmos um «sim» livre e pleno à graça de Deus, para poderdes ser renovados e renovar a humanidade pela luz e a alegria do Espírito Santo.

Partilha

Share/Bookmark