A nona bem-aventurança

«Um dos fenómenos mais espantosos da história da humanidade é o ataque à Igreja. Esse processo, tão aceso estes dias, é sempre muito curioso.

Primeiro pela duração e persistência. Há 2000 anos que os discípulos de Cristo são perseguidos, como o próprio Jesus profetizou. E cada ataque, uma vez começado, permanece. A Igreja é a única instituição a que se assacam responsabilidades pelo acontecido há 100, 500 ou 1500 anos. Os cristãos actuais são criticados pela Inquisição do século XVII, missionação ultramarina desde o século XV, cruzadas dos séculos XI-XIII, até pela política do século V (no recente filme Ágora, de Alejandro Amenábar, 2009).

Depois, como notou G. K. Chesterton em 1908, o cristianismo foi atacado "por todos os lados e com todos os argumentos , por mais que esses argumentos se opusessem entre si" (Orthodoxy, c. VI). Vemos criticar a Igreja por ser tímida e sanguinária, pessimista e ingénua, laxista e fanática, ascética e luxuosa, contra o sexo e a favor da procriação, etc. Mas o mais espantoso é que os ataques conseguem convencer-nos daquilo que é o oposto da evidência mais esmagadora.

Os iluministas provaram-nos que a religião cristã é a principal inimiga da ciência; supersticiosa, obscurantista, persecutória do estudo e investigação rigorosos. A evidência histórica mostra o inverso. A dívida intelectual da humanidade à Igreja é enorme. Devemos a multidões de monges copistas a preservação da sabedoria clássica. Quase tudo o que sabemos da Antiguidade pagã veio dos mosteiros. Foi a Igreja que criou as primeiras universidades e o debate académico moderno. Eram cristãos devotos os grandes pioneiros da ciência, como Kepler, Pascal, Newton, Leibniz, Bayes, Euler, Cauchy, Mendel, Pasteur, etc. Até o caso de Galileu, sempre citado e distorcido, mostra o oposto do que dizem.

Depois, os jacobinos asseguraram-nos que a Igreja é culpada de terríveis perseguições religiosas, étnicas e sociais, destruição cultural de múltiplos povos, amiga de fogueiras e câmaras de tortura, chacinas, saques e genocídios. No entanto, a evidência de 2000 anos de história real de cristãos concretos é de caridade, mediação, pacifismo. Tudo o que o nosso tempo sabe de direitos humanos, diplomacia, cooperação e tolerância foi bebê-lo a autores cristãos.

A seguir, os marxistas vieram atacar a Igreja por ser contra os proletários e a favor dos ricos. Quando é evidente o cuidado permanente, multissecular e pluricultural dos cristãos pelos pobres e infelizes, e as maravilhas sociais da solidariedade católica no apoio aos desfavorecidos.

Vivemos hoje talvez o caso mais aberrante: a Igreja é condenada por... pedofilia. A queixa é de desregramento sexual, deboche, perversão. Mas a evidência histórica mostra que nenhuma outra entidade fez mais pelo equilíbrio da sexualidade e a moralização da vida pessoal da humanidade. Mais uma vez, o ataque nasce do oposto da verdade.

Serão as acusações contra a Igreja falsas? Elas partem sempre de um núcleo verdadeiro. Houve cristãos obscurantistas, persecutórios, cruéis, injustos, luxuosos, como hoje há padres pedófilos. Aliás, em 2000 anos de história, e agora com mais de mil milhões de fiéis, tem de haver de tudo. A distorção está na generalização ao todo de casos particulares aberrantes. Não sendo tão má quanto o mito, a Inquisição foi péssima. Mas a Inquisição não representa a Igreja e a própria Igreja da época a condenou. Os críticos nunca combatem os erros, sempre a instituição. Hoje não se ataca a pedofilia na Igreja, mas a Igreja pedófila.

A razão do paradoxo é clara. Cada época projecta na Igreja os seus próprios fantasmas. Ninguém atropelou mais o rigor científico que os iluministas. Ninguém foi mais sangrento que os jacobinos. Ninguém gerou maior pobreza que os marxistas. Ninguém tem mais desregramento sexual que o nosso tempo.

O ataque à Igreja é uma constante histórica. A História muda. A Igreja permanece. Porque ela é Cristo. Dela é a nona bem-aventurança: "Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem" (Mt 5, 11).»

João César das Neves

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Nós somos a Igreja...

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«O papa Bento XVI terá chorado durante o encontro que hoje teve com oito vítimas de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica, de acordo com o relato de um dos participantes na reunião.

Lusa - Esta notícia foi escrita nos termos do Acordo Ortográfico 18:03 Domingo, 18 de Abr de 2010

"Estou impressionado pela humildade do papa. Ele assumiu para ele o embaraço causado pelos outros. É muito corajoso. Ouviu-nos individualmente e abençoou uma cruz que eu levava comigo", descreveu Lawrence Grech, uma das oito vítimas que hoje tiveram ocasião de estar com o Sumo Pontífice.

O Vaticano afirmou que Bento XVI expressou a sua vergonha e tristeza pela dor que os homens sofreram. »


in Revista Visão

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Porto - Santiago de Compostela

Foi no passado fim-de-semana (10, 11 e 12 de Abril) que, eu e mais 10 atletas de grande renome internacional (colegas de trabalho :)), nos fizemos ao caminho português de Santiago de Compostela, montados nas nossas bikes, preparados (ou não) para fazer uns módicos 267 km. Partimos da Sé Catedral do Porto e o destino final seria Santiago.

Este percurso surgiu, porque ouvimos várias pessoas dizer que era expectacular e, como católico, juntei o útil ao agradável: passeio-aventura/peregrinação.

(Aconselho vivamente, a quem puder fazer, pois existem paisagens, monumentos e igrejas lindíssimas e, depois, o convívio durante o percurso é fantástico)

Pouco tempo antes da viagem, surgiram noticias "um pouco" desanimadoras , pois um problema de saúde grave, poderia estar a caminho, no seio da minha família... Mas encarei-o como mais um desafio e motivo para realizar esta peregrinação, aproveitando-a para orar e pedir ajuda... a Ele e a Santiago.

Durante todo o percurso, sempre que parávamos em algum sítio ou localidade para carimbar a caderneta do peregrino, aproveitava para entrar na capela ou igreja para orar, para conversar com Ele, para me ajudar a mim e ajudar a quem mais precisava.

O primeiro dia foi bastante razoável, pois o percurso era quase todo ele em asfalto ou paralelo (Porto - Ponte de Lima).
O segundo dia (Ponte de Lima - Ponte Vedra) foi a prova de fogo... indescritível... só quem já foi, pode saber o que custa subir aquele monte de enormes pedras, com a bike às costas (é impossível subir montado na bicicleta... até desmontado estava a ver que não chegava lá ao cimo...) e, o monte nunca mais acabava, com um sol abrasador a bater nas costas... Se não fosse a ajuda extra vinda lá de cima... não sei não...
O terceiro dia (Ponte Vedra - Santiago de Compostela) foi bastante acessível, pois os quilómetros também eram menos, cerca de 70.

Ao chegar à Catedral, o sentimento é um pouco indescritível, mas um misto de alegria e felicidade era o mais presente. Após todo aquele sacrifício e oração senti-me com o dever cumprido. Senti-me diferente.
Após uns minutos a deslumbrar-me com aquele monumento magnífico e a recuperar fôlego e energias, fui buscar o diploma do peregrino e a lágrima ainda veio ao canto do olho :).

Mas o melhor ainda estava para vir, pois ao chegar de novo ao Porto (agora de carro :)), as notícias não poderiam ter sido melhores: o "tal" problema de saúde não passou de um enorme susto.

Mais uma vez Te agradeço, a Ti e a Santiago.

OBRIGADO.


David Polido

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Parabéns Santo Padre


Parabéns, Santo Padre!

Como presente de aniversário, paremos um minuto no nosso dia e rezemos uma Avé-Maria pelas suas intenções...

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Paquistão: casal cristão nega a converter-se e é alvo de violência

«ROMA, segunda-feira, 22 de março de 2010 (ZENIT.org). – Por se negarem a converter-se ao Islão, um casal cristão foi alvo de brutal violência por parte de extremistas muçulmanos, que aparentemente agiram com o apoio de polícias. O homem, Arshed Masih, foi queimado vivo e sua esposa, Martha Masih, violentada, enquanto seus três filhos, com idades entre 7 e 12 anos, foram obrigados a assistir a seus pais serem brutalizados.

O terrível episódio ocorreu no dia 19 de Março em Rawalpindini, próximo da capital paquistanesa Islamabad, na propriedade de Sheikh Mohammad Sultan, um empresário muçulmano rico, para quem Arshed e Martha Masih trabalhavam.

Segundo a AsiaNews, em Janeiro líderes religiosos fundamentalistas e Mohammad Sultan impuseram a conversão forçada de toda família Masih ao Islão. Diante de sua recusa, os extremistas prometeram-lhes “terríveis consequências”.

Em razão das ameaças, Arshed Masih manifestou sua intenção de deixar a propriedade de seu empregador com a sua família, mas Sultan prometeu “matá-lo” caso tentasse.

Na semana passada, as tensões acirraram-se quando Mohammad Sultan accionou a polícia para reportar o suposto roubo de 500 mil rúpias (cerca de 6 mil dólares) da sua casa, acusando a família Masih de envolvimento e exigindo, mais tarde, que se convertessem para que a queixa fosse retirada. Mais uma vez, o casal recusou-se.

Na sexta-feira passada, o casal foi finalmente atacado por um grupo de extremistas que, de acordo com fontes locais, incluía diversos polícias. Enquanto parte do grupo ateava fogo ao corpo de Masih, alguns dos oficiais de polícia violaram Martha.

Arshed, de 38 anos, permanece internado em estado gravíssimo no hospital da Sagrada Família de Rawalpindi, onde também se encontra a sua esposa Martha. Ele tem mais de 80% do corpo queimado e, segundo os médicos, “tem poucas chances de sobreviver”.

O governo da província de Punjab ordenou uma investigação sobre o ocorrido. “Os culpados serão presos”, garantiu Rana Sanaullah, ministro da justiça do governo local.

Após o crime, diversas manifestações de protesto por parte da comunidade cristã foram registadas nos arredores de Rawalpindi e Lahore.

Até o momento ninguém ainda foi preso.


Hoje ao ler esta notícia na ZENIT, corei de vergonha!

Vivemos num país onde ainda é livre a expressão religiosa e no entanto fazemos pouco ou nenhum uso dela.

Quando a nossa Fé é atacada por todos os lados, desde as notícias parciais e dirigidas na comunicação social, a um Estado que teima em fazer e aprovar leis que vão ao arrepio de todo um passado cultural e religioso do nosso povo, nós calamo-nos e não resistimos, ao menos com um testemunho credível de Fé.

Quando a Igreja é atacada, ofendida, quando a família é mutilada e desprezada por um Estado e seus Partidos, que se dizem laicos, mas apenas se assanham contra a religião cristã e católica, nós cristãos portugueses e até a hierarquia da nossa Igreja, calamo-nos ou damos respostas tímidas e envergonhadas, tentado viver de bem com Deus e o Diabo.

Quando até a Bíblia, Palavra de Deus, e os Sacramentos são vilipendiados e nós cristãos católicos somos apelidados de tudo e mais alguma coisa, por uma minoria activa e protegida pelo poder, na sociedade portuguesa, calamo-nos e timidamente nada fazemos, e às vezes até ajudamos, criticando a Igreja e colocando em causa a Doutrina.

E no entanto, aquele casal de indianos cristãos, no meio da falta de liberdade, ameaçados na sua própria vida, sem qualquer protecção, nem mesmo da polícia, não se envergonham, não recuam, não pactuam, não se deixam intimidar, e corajosamente, como verdadeiros filhos de Deus, afirmam a sua Fé e confiam-se à misericórdia de Deus, que não lhes faltará nunca, porque não pode faltar, pois foi Ele mesmo quem disse:

«Digo-vos ainda: Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens, também o Filho do Homem se declarará por ele diante dos anjos de Deus. Aquele, porém, que me tiver negado diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus.»
Lc 12,8-9


De nós cristãos envergonhados, tíbios, mornos, ninguém falará, ninguém testemunhará, será uma geração sem rumo, sem sentido e fraca nas suas convicções e atitudes, uma geração de cristãos católicos que pelos vistos só o é por tradição e não por convicção, por Fé verdadeira.
Daqueles, como aquele casal, todos falarão, ficarão na história, serão companheiros fiéis dos mártires, e todos, todos, até aqueles que não acreditam, se deixarão admirar pelo seu testemunho de Fé, de Esperança, de Caridade.

E que não se façam comparações com outras atitudes que poderiam parecer iguais, mas não o são!

É que uns violentam, violentam-se, matam e matam-se pelo seu Deus, mas estes são violentados, são mortos porque dão testemunho do seu Deus e assim alcançam a vida eterna no seu Deus, que também já se entregou por eles, e por todos nós.


Corei de vergonha, hoje ao ler esta notícia!

Espero que não seja o único! »
João Mexia Alves

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Páscoa

«Celebramos de novo a Páscoa.

festa-pascoa-jesus1É importante pensar porque razão, ao fim de 2000 anos, ainda existe tal multidão, um terço da população mundial, que celebra solenemente este acontecimento tão sangrento e grotesco: a morte infamante de um condenado à pena mais miserável, a crucificação.
Será pelas palavras sábias de Jesus, os seus ensinamentos sublimes, que geraram tantos discípulos? Será Cristo um mestre, um filósofo do amor? Não, não foi por isso. Outros pensadores, de Platão a Kant, também apresentaram doutrinas elaboradas.
Será pelo mito que se criou à volta do carpinteiro de Nazaré, gerando um culto e uma igreja? Será Cristo um carismático, um líder religioso?
Também não tem nada ver com isso. Outras figuras, de Alexandre Magno a Karl Marx, tiveram discípulos mais empenhados.
Será por essa execução ser símbolo da opressão que permanece no mundo?
Será Jesus um representante das vítimas da violência? Não, não é nada disso. Outros mártires, de Sócrates a Spartacus, também serviram de exemplo.
A razão da Páscoa é a imensa multidão que há 2000 anos vive quotidianamente com Cristo vivo e ressuscitado. Pela oração, meditação e contemplação, pelo seguimento concreto das Suas palavras, tantos ao longo dos séculos estiveram realmente todos os dias na presença de Cristo.
E aí encontraram uma felicidade sem par e sem medida. Não por deixarem de ter problemas, mas por partilharem com Ele e viverem n’Ele esses problemas. Por poderem dizer, cada vez que enfrentam nova dificuldade
Primeira estação: Jesus é condenado à morte».

João César das Neves

Pensemos nisto na celebração deste Santo dia de Páscoa!

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