- por José Ribeiro e Castro

O Papa é o Santo Padre, o nosso Santo Pai, nossa referência e luz, ao nosso lado, no caminho como cristãos. Muitas vezes dizem-no Chefe da Igreja. Mas não é chefe como outros, porque a Igreja também não é uma instituição como outras. Ele é mais o farol. É o Pastor. Guia pela palavra, guia pelo risco, guia pelo exemplo, guia pela inspiração, guia pelo conforto, guia pelo amparo – guia porque vai à frente, quando precisamos que nos aponte, e guia também porque vai atrás, quando precisamos que nos empurre. Guia, estando ao nosso lado. Guia, estando connosco. É pastor, é o Pastor. Guia em nome da Verdade e da sua incessante busca, da Verdade que o Homem só verdadeiramente descobre e toca no seu – isto é, no nosso – encontro com Deus.
Nisto, Bento XVI não é diferente de S. Pedro, o primeiro de todos os Papas. Nem é diferente de João Paulo II, que o precedeu. Como não será diferente daquele que lhe suceder. Mas tem sido um Papa particularmente atingido em certos meios e, por vezes, verbalmente vergastado pelos sectores anti-católicos,assumidos ou dissimulados. Nessa convulsão mediática que lhe tem sido dado viver, a crítica mais ardilosa é a de que “não tem o carisma” de João Paulo II. Mas é curioso verificar como aqueles que mais apontam isso a “este” Papa são aqueles que também não seguiam o“outro”…
Bento XVI, além de Papa, é uma grande figura da Igreja contemporânea, um intelectual reconhecido e admirado – e, por isso, também desafiado e atacado. Em pouco tempo, já nos deixou três Encíclicas: sobre o Amor (Deus Caritas Est), sobre a Esperança (Spe salvi) e de novo sobre o Amor e a Verdade (Caritas in veritate). E muitos outros documentos seus deixaram marca. O seu magistério não é só notável, é riquíssimo e brilhante. Um magistério de Evangelho escrito.
Coube-lhe ainda a circunstância de ser a cabeça da Igreja universal diante de um vendaval terrível, desencadeado pelos sucessivos escândalos de pedofilia de alguns sacerdotes em diferentes partes do mundo. A coragem, a verticalidade e a humildade de que tem dado mostras, mesmo quando submetido ao injusto furacão de detractores, dão-nos a todos os católicos a garantia fundamental: a de que o Pastor também não vacila. Nem deixa vacilar. Bento XVI tem sabido ser firme e sereno, preciso e reformador. Um magistério de Evangelho prático.
Nestes dias, Bento XVI veio visitar-nos. Para nos dar a sua presença e, de novo, a sua palavra. A mim, como a muitos católicos portugueses, apetece-me o contrário: apetece-nos estar com ele. Para lhe dar a nossa companhia e, através dela, o nosso sinal de amor e gratidão. Amor e gratidão por ser o nosso Papa, o Papa do nosso tempo. Amor e gratidão por representar tão bem as larguíssimas centenas de milhares de sacerdotese de religiosos que, em todo o mundo, sofrem, em silêncio e serviço quotidiano dos outros, a amargura dos erros de alguns poucos. Amor e gratidão por todos seguirem fiéis, serenos e disponíveis ao recto serviço de Deus, de Jesus Cristo e da Sua Palavra de Salvação. Quanto precisamos deles!

Obrigado, Bento XVI.

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